26/08/2011

Começa a produção de mudas de palma resistente a cochonilha do carmim pela Embrapa Semiárido

Com a técnica da cultura de tecidos vegetais, os pesquisadores conseguem, a partir de um pequeno fragmento da palma, uma espécie de milagre da multiplicação.

Uma técnica conhecida como cultura de tecidos vegetais está sendo empregada por pesquisadores de instituições dos governos federal e de Pernambuco para conter a disseminação da praga que já dizimou, de forma irrecuperável, cerca de 100 mil hectares de palma no semiárido de quatro estados da região Nordeste: Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Por meio desse recurso, preparam a produção de mudas de uma variedade resistente (Orelha de Elefante Mexicana) ao inseto cochonilha-do-carmim para distribuição aos agricultores.

Com a técnica da cultura de tecidos vegetais, os pesquisadores conseguem, a partir de um pequeno fragmento da palma, uma espécie de milagre da multiplicação: produzir milhares de mudas, que serão clones. Então, se o fragmento utilizado é de uma planta resistente à praga, todas as mudas produzidas, a partir desta planta, também o serão. No Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Semiárido, já foi dado o início à produção desta variedade resistente. Uma parte dessas mudas, produzidas em laboratório ou in vitro, será levada ao campo experimental para compor um “banco de sementes de palma” na mesma instituição e a outra, será distribuída entre os agricultores.

As demais entidades parceiras, Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), também produzirão as mudas para distribuição. Avanço – A engenheira agrônoma e pesquisadora da Embrapa Semiárido, Ana Valéria de Souza, explica que essa é a primeira medida a ser adotada em larga escala para controle dessa espécie de cochonilha. As mudas resistentes estarão prontas no segundo semestre de 2010. Levar para o campo uma tecnologia dessa amplitude é um grande avanço na solução de um dos mais graves problemas da pecuária no Nordeste.

Nesta região, existem perto de 300 mil famílias envolvidas com o cultivo da palma. A área plantada, 500 mil hectares, é a maior em todo o mundo. Segundo estimativas das autoridades da área agrícola da região, a destruição dos plantios causou um prejuízo da ordem de 140 milhões de reais. O impacto na criação dos rebanhos é tão grande que trouxe pânico aos agricultores que assistem a suas plantações serem tomadas pela cochonilha-do-carmim, explica Ana Valéria.

As pesquisas iniciais para o desenvolvimento do protocolo para a produção das mudas em laboratório desta variedade resistente começaram a ser realizadas no IPA, pela pesquisadora Laureen Kido, que atualmente trabalha no Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) – vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Esta bióloga e pesquisadora conseguiu definir o que cientificamente é chamado de protocolo de micropropagação para multiplicação da variedade. Com esse recurso da biotecnologia, a luta para conter e fazer regredir as áreas infestadas ganhou uma ferramenta fundamental, afirma Ana Valéria.

Um dos grandes problemas enfrentados pelas instituições e governos, para substituir as áreas plantadas por variedades resistentes, era a baixa velocidade de produção das mudas pelos meios convencionais: pegar a raquete, ou cladódio, e plantar para esperar crescer e então retirar outras raquetes e levar ao campo em novo plantio. A pouca disponibilidade desse material faria com que a erradicação das variedades susceptíveis pelas resistentes demorasse muito tempo e precisaria de muitos investimentos financeiros.

Esse protocolo, segundo Ana Valéria, vai permitir produzir milhares de mudas da palma Orelha de Elefante, em pouco tempo. As novas mudas obtidas em laboratório também poderão ser plantadas em saco plástico, contendo substrato comum, formado por solo e esterco, como utilizado na propagação convencional. Ao final de um período de três meses de cultivo das mudas em saco plástico, etapa denominada aclimatização, é possível obter mudas viáveis para o plantio em áreas de produtores. A multiplicação utilizando esta técnica de cultivo in vitro é capaz de gerar milhares de mudas a partir de um único fragmento da palma. No entanto, as diversas etapas de produção podem durar até seis meses e o custo final da muda é mais elevado do que a propagação convencional por fragmentos. Mas, ainda assim, a produção das mudas in vitro é mais vantajosa, principalmente quando se considera a relação custo/benefício.

Protocolo – O estudo para identificar variedades resistentes foi uma das estratégias adotadas pelos governos e instituições de pesquisa e extensão rural dos estados com registro de ataque desse inseto nos palmais. Do primeiro foco da praga, assinalado no município de Sertânia (PE), há cerca de 10 anos, os pesquisadores, técnicos e autoridades fitossanitárias passaram a realizar estudos e medidas para conter o avanço da praga por meio do projeto “Manejo Integrado da cochonilha-do-carmim em palma forrageira na região semiárida do Nordeste Brasileiro”, coordenado pelo engenheiro agrônomo Carlos Gava, pesquisador da Embrapa Semiárido.

Neste centro de pesquisa, estão em desenvolvimento estudos para controle biológico, com inimigos naturais detectados nas áreas de incidência da praga, além de controle microbiano com a utilização de fungos que matam insetos. No Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e na Empresa de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (EMEPA), houve dedicação à identificação da palma resistente.

Feno em pé – Carlos Gava explica que a palma é uma forrageira que está presente na grande maioria dos sistemas de criação pecuária no semiárido. “É uma espécie adaptada ao regime irregular de chuvas e às altas temperaturas da região. A planta armazena em seus tecidos nada menos que 90% de água – da sua composição, só 10% são de matéria seca. Além disso, não precisa ser cortada ao amadurecer".

Nas secas mais prolongadas, a palma é uma das poucas forrageiras a se manter verde e disponível para a alimentação dos rebanhos. A resistência da planta a transforma numa espécie de “feno em pé” para os produtores das cadeias de carne e leite de caprino, ovino e bovino no semiárido. O alto teor de umidade, por sua vez, reduz a necessidade de fornecimento de água aos animais durante o tempo sem chuvas na região.


Contatos:

Ana Valéria de Souza – pesquisadora;
ana.valeria@cpatsa.embrapa.br

Carlos Gava – pesquisador;
gava@cpatsa.embrapa.br

Marcelino Ribeiro – jornalista;
marcelrn@cpatsa.embrapa.br

Embrapa Semiárido – 87 3862 1711
Marcelino Lourenço R. Neto
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